domingo, 7 de março de 2010

Não é homofobia: Uma história real

Eu tinha dois anos de idade e gostava de imitar Michael Jackson, quando o via dançando na TV. Era louco com ele. Saí um dia com meu pai e fiquei murmurando a música do Michael e rebolando com minha mãe. "Seu filho já nasceu boiola", disse o amigo do meu pai que só parou de rir quando fomos embora. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.Aos quatro anos comecei a dançar Ballet no Núcleo Artístico em Belo Horizonte, meus pais, irmão, avó e madrinha estavam nas apresentações e premiações, o restante da família e amigos não: "Isso não é coisa de homem. Não faz essas coisas de mariquinha", eles diziam. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.No pré-primário a professora me colocava sempre junto das meninas, pois os meninos me batiam, e não gostavam de sentar "perto da bichinha". Não era homofobia, eles apenas estavam se expressando.
Na primeira série pedi à diretora para apresentar uma peça de teatro na escola, apresentei e alguns me xingaram de "boiola, bicha" etc. Meu pai foi à escola reclamar e a professora disse a ele "tratam seu filho assim porque ele não é normal". Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.Na quarta série um colega de sala me deu um tapa na cara e gritou comigo, "veadinho, essa vozinha de galinha". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.
Na quinta série, no colégio, o diretor e a pedagoga mandaram chamar minha mãe. "Seu filho dança ballet, escreve teatro, só anda com as meninas, não joga futebol. Seu filho tá virando veado e a senhora apoia, não faz nada?". Minha mãe me defendeu, a chamaram de louca e ela me levou embora, aos prantos. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.Também na quinta série, participei das Olimpíadas da escola, na modalidade salto à distância. Quando você corre e pula, naturalmente seus olhos arregalam. Quando pulei, jogaram areia nos meus olhos e gritaram "pula, bichinha". Fiquei alguns dias com os olhos feridos. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.Algumas mães e irmãs de alguns dos poucos amigos homens que tinha pediram a eles, na minha frente, para se afastarem de mim, pois poderiam "ficar mal falados". Não era homofobia, elas estavam apenas se expressando.Entre a sexta e a oitava série, me batiam de vez em quando no final da aula, me derrubavam nas aulas de educação física, alternavam meus apelidos entre "RuleBambi" e "Bailarina", e sempre repetiam "vira homem, veado". Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.Na oitava série eu queria dançar quadrilha. Nenhuma das meninas quis dançar comigo, elas riam "Ah, Ru, você tinha que ser mais homem ou dançar com homem". Fiquei triste, e a professora de educação física disse "eu danço com você". Não era homofobia, elas estavam apenas se expressando.No segundo grau mudei de escola e lá apanhei também. A diretora me mudou de sala, os novos colegas riam, mas não me batiam. Não era homofobia. Eles estavam apenas se expressando.Quando trabalhei de garçom junto com meu pai, um dia fui sozinho. O cara que ficou de chefe no lugar do meu pai ordenou que "carregasse sozinho os botijões. Vamos ver se ele é homem mesmo". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.
Na faculdade, um colega de turma me agrediu fisicamente, pois eu o abracei quando o vi durante o almoço. "Tá me estranhando? O que você quer?", me disse ele. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.Formado, trabalhando em um jornal impresso em início de trajetória, meu chefe me comunicou minha demissão "meu sócio, dono das máquinas disse que não quer veado no jornal". Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.
Pouco depois uma amiga me convidou para a festa da irmã, eu e nosso grupo de amigos. Todos ganharam dois convites. Eu ganhei só um. Quando pedi o segundo convite ela me disse "Ru, é uma festa de família, não fica bem se você for acompanhado". Não era homofobia, ela e a família dela estavam apenas se expressando.Certa vez, na Savassi, região nobre de Belo Horizonte, estava sentado na praça com meu par, um cara passou e cuspiu em nós. "Que nojo" ele disse, fomos defendidos por um policial. Não era homofobia, ele estava apenas se expressando.Em 2008, escrevi sobre o preconceito contra gays e divulguei o texto no Orkut. Uma comunidade dita católica contra "homofacistas" (como alguns chamam os gays anti-homofóbicos) fez uma série de denúncias contra meu perfil ao Google, dizendo ter conteúdo impróprio, me perseguiram e ameaçaram virtualmente. Tive que criar outra conta no Orkut. Não era homofobia, eles estavam apenas se expressando.São alguns dos tristes trechos dos quais me recordo. Já fui e sou desacreditado, oprimido e violentado verbal e fisicamente por pessoas que nunca esconderam o motivo para tal: eu ser gay. Mas, não se preocupe, não vou me fazer de vítima, não vou culpar a sociedade ou algum participante bronzeado, prateado ou dourado do Big Brother Brasil. Não, não era homofobia, nunca é. Eles sempre estavam e estão apenas se expressando. Eu também.

sábado, 6 de março de 2010

A necessidade de superação ao preconceito homofóbico



1.1 A necessidade de superação ao preconceito homofóbico.
O estudo sobre a superação da homofobia é um tema bastante abrangente e conta
com o apoio de uma secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República,
sendo esta um órgão responsável pela sua articulação, implantação e avaliação. A superação a homofobia e conseqüentemente o respeito e a promoção da cidadania de gays, lésbicas e transgêneros, estende-se a todos os órgãos públicos e federais, estaduais e municipais, bem como a toda a sociedade brasileira.
O termo é ainda desconhecido por muitos, embora as reações e os preconceitos
sejam muito antigos e conhecidos de todos. A negação à orientação sexual do outro, causa
na grande maioria das pessoas a repulsa face às reações afetivas e sexuais entre pessoas do
mesmo sexo. O heterossexismo descreve uma atitude de preconceito que acaba por
suprimir os direitos de cidadania, classificando como inferiores pessoas cuja opção sexual
é vista pelos heterossexuais como problemas sociais. A institucionalização do
heterossexismo é reforçada em nossa legislação, nas religiões, na língua e nas escolas,
conferindo uma violação aos direitos humanos semelhante ao racismo e ao sexismo. Esse
procedimento é por vezes reforçado, pelo fato de ser a homossexualidade entendida como
promiscuidade, deixando de se reconhecer no outro, o seu direito de escolha.
O termo continua ainda, sendo um grande enigma em nossa sociedade, que, apesar
da evolução nos estágios tecnológicos, não consegue conceber e respeitar a opção sexual
do outro. Para Ceccarelli (2000),
“...Se observarmos as diversas reações da atualidade em relação a certas
atitudes de conotação sexual, ficaremos impressionados ao constatar que
tais reações permanecem imutáveis ao longo da história. Assim, enquanto
no passado havia uma preocupação excessiva, que pode nos fazer rir, com
a questão do prazer, com os perigos da masturbação e outros tantos ligados
à sexualidade, hoje, depois da "revolução sexual" dos anos sessenta,
assistimos a acontecimentos, no fundo, bastante semelhantes”.
Falar de sexualidade implica entender a conotação que é dada ao tema em todos os
segmentos da sociedade. Na escola não é diferente, o tema apresenta-se com maior
destaque na adolescência e na grande maioria dos casos, as confusões e as curiosidades
apresentadas pelos jovens sofrem repressões, especialmente se a dúvida for em relação à
opção sexual. Segundo Gandra & outros (2003),
“Por causa das informações que recebemos quando criança e das
cobranças do meio social em que vivemos, os desejos que envolvem a
nossa sexualidade são muitas vezes, duramente reprimidos, o que
aumentam as incertezas”.
Com a proposta de dirimir e por fim combater a discriminação com base na
orientação sexual foi criado em 2001 o Conselho Nacional de Combate à Discriminação
(CNCD), cuja implantação contribuiu como medida implantada pelo governo brasileiro
para implementação das recomendações oriundas da Conferência de Durban. O combate à
discriminação com base na orientação sexual passou a receber também vertentes tratadas pelo CNCD.
Maria Ângela dos Reis Silva Tanno, Mestre em Educação pela Universidade Católica de
Brasília. Professora do Ensino Superior. E-mail: angelatanno@yahoo.com.br
Enciclopédia Biosfera, N.03, Janeiro – junho 2007 ISSN 1809-0583

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Um povo "Dourado" não consegue ser Verde Amarelo Azul, Rosa, Turquesa, Roxo...





O BBB 10 não poderia ter sido mais oportuno para abrir discussões sobre a homofobia. Pena que as cenas que vão ao ar demonstram que os Gays que pertencem ao "time" da casa pouco saibam, ou pouco abordem sobre as questões que envolvem um assunto tão polêmico e sério.

É visível que o "macho" da casa, o "Dourado" é um "poço obscuro da ignorância" e pertença entre outras coisas aos que cultivam o preconceito e as atitudes homofóbicas. Não que isso tenha grande importância, mas o BBB 10 vem nos fornecer dados sobre o quão homofóbico é o povo brasileiro, pois deixar um tal Marcelo Dourado permanecer no programa depois de tantas declarações infelizes é mesmo de se espantar. Será um retrocesso? Será isso uma constatação óbvia de que, para ultrapassarmos as barreiras do preconceito, ainda temos um longuíssimo caminho? É pena... mas teremos que reafirmar que quando falta educação para um povo sobra a violência e a imbecilidade...

Vamos lá educador assuma o seu papel e discuta sobre diversidade para que possamos evitar que personalidades "douradas" circulem, sobrevivam e se heroízem pelo voto popular.


Vota certo Brasil!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Parceiros




A OCH é uma ONG que precisa de parceiros. Se você se afina com a causa nos procure ou participe dos eventos ou do Blog. Esta página vai estar noticiando constantemente novidades, novos parceiros e eventos relacionados às ações anti-homofobia. Lutar por uma sociedade mais humana e que respeita as diferenças é o nosso maior objetivo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

https://www.naohomofobia.com.br/home/index.php

Vote pela criminalização da Homofobia no link acima!

Vote pela Criminalização da Homofobia




URGENTE!!! Vote e divulgue, porque a homofobia está ganhando!
Ontem, o site do senado, lançou uma enquete sobre o projeto de Lei que pune a homofobia como crime e estamos PERDENDO.
É decepcionante chegar lá e ver que os que votam contra estão ganhando nesse momento com gritantes 62%.
Se todo os simpatizante contra a homofobia, fizer sua parte, temos como vencer esta pequena batalha.
Esta é uma forma de mostrar aos políticos o como a aprovação desta lei é importante, então, convoque todas as amigas, todos os parentes, todo mundo que você sabe que tem um mínimo de consciência, o mínimo de compaixão, o mínimo de bom senso e peça para votarem o máximo que puderem.
Acesse agora o site do Senado clicando aqui:
http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0
Desça a página e procure no lado direito pela opção: Enquete e vote em SIM, que significa que você é a favor da aprovação da lei.
Não podemos deixar a homofobia vencer mais esta!
Vote, divulgue e LUTE, porque isso sim é um verdadeiro problema SEU e de todas nós.Parece pequeno, mas é a ponta de um grande ICEBERG!
Cabe a nós reverter esse resultado...
E se vc pensou: - Não sou homossexual, n tenho nada com isso! - Sou homossexual, mas detesto militância!

Lembre-se que exatamente posturas como essas fazem perpetuar todo e qualquer tipo de ato discriminatório.

Colabore para a construção de um mundo mais humano!

De onde vem a Homofobia








Texto de Denise Deschamps



Cabe na análise deste tipo de comportamento averiguar o contexto no qual se manifesta e, além disso, investigar os conflitos intrapesssoais que a atitude possa ocultar
Refletir sobre a questão da homofobia requer sempre certa contextualização cultural. O comportamento surge como manifestação individual, mas tem seus instituintes fortemente assentados na cultura onde se inscreve, assim como a manifestação de outros comportamentos, também regulados por um intricado sistema de normas sociais.
Em nossa cultura – que supomos ser de base heteronormativa e heterocêntrica –, a questão geralmente se apresenta de maneira bastante evidenciada. Pais vigiam seus filhos desde muito cedo, observando atitudes que possam apontar uma possível homoafetividade e não hesitam, inclusive, em reprimir algumas manifestações de afeto e outras próprias do desenvolvimento psicossexual de todo sujeito em formação. Dentro dessas características, agregadas a uma cultura conceituada por Gregory Zilboorg como falocêntrica, ocorre extrema vigilância sobre comportamentos identificados como indicadores de homossexualidade. Serão muito mais atacados aqueles que dizem respeito ao gênero masculino, aos meninos em formação, sendo que, nesse aspecto, as identificações de gênero para as mulheres são um pouco mais flexíveis. Torna-se importante, neste momento, isolar alguns conceitos que hoje em estudo mostram diferenciações *:
- sexo biológico;- identidade sexual – Também conhecida por identidade de gênero;- papéis sexuais – Também conhecidos por expressão de gênero;- orientação sexual – Simplificação da expressão e orientação sexual do desejo;- comportamento sexual – Não corresponde necessariamente à orientação sexual do desejo;- prática sexual – Diz respeito ao ato sexual propriamente.
Hoje é consenso que essas diferenciações, ao se abordar a homossexualidade, sejam algo de suma importância. Por isso devem ser consideradas quando um profissional do campo psi é chamado para lidar com essa questão, seja teoricamente ou na prática clínica. E por qual motivo isso nos interessa? O foco de nossa análise ficará mais bem delimitado olhando-se a partir dessas possíveis manifestações. Um sujeito homoafetivo poderá não apresentar para seu meio social nenhum indicador de sua orientação sexual, mesmo que a exerça em sua prática sexual, portanto não apresentando nenhuma manifestação quanto à identidade de gênero ou papel sexual que sejam diferentes das manifestações aceitas para o seu sexo biológico. Outras vezes esse campo se confunde e o sujeito poderá dar-se conta de sua orientação sexual e, no entanto, manter a prática sexual e o comportamento sexual ligados a outra orientação, heterossexual. Esse tipo de atitude, via de regra, levará esse sujeito a grande fragmentação e vivência de intenso sofrimento. A trajetória até aí não é das mais simples e diz respeito àquilo que denominamos como homofobia internalizada.
Em alguns casos, a homofobia internalizada poderá ganhar contornos de uma manifestação projetiva e apresentar-se ao mundo externo como perseguição ao objeto temido. Nesta situação o sujeito desenvolve toda uma estratégia de perseguição à homossexualidade. Isto é muito observado em grupos organizados, tais como os de cunho religioso ou mesmo militares, como pudemos acompanhar recentemente pelos noticiários que mostraram a perseguição sofrida pelos militares Laci Marinho de Araújo e seu companheiro Fernando Alcântara de Figueiredo. Ao assumirem seu relacionamento, ambos atraíram para si toda uma estratégia punitiva por parte da instituição à qual pertencem.
Sem o aval da PsicanáliseA transexualidade e o travestismo exigem capítulo à parte, mas que para o que abordaremos aqui não necessariamente será preciso elucidar as diferenciações, porque pensamos que a homofobia se caracteriza pela dificuldade em lidar com tudo que não seja heterossexual, no sentido biológico que caracterizaria essa definição.
O campo psi tem sido, então, solicitado para legitimar ou não a questão do “desvio” em relação à homossexualidade. Embora se acuse a Psicanálise freudiana de fornecer embasamento para essa prática, isso na verdade mostra um desconhecimento quanto ao que seu fundador, Sigmund Freud, pôde postular sobre o tema ainda em pleno desenvolvimento de sua teoria, quando retira da questão homoafetiva qualquer noção de desvio e a coloca como uma das possibilidades esperadas da corrente da libido. Isto fica bastante claro na famosa carta resposta “À uma mãe americana”, que o consultou a respeito da possível homossexualidade de seu filho. Disse Freud:
“O homossexualismo (leia-se hoje como homossexualidade) não é vício nem degradação. Não pode ser classificado como doença”
Toda teoria que envolve o Complexo de Édipo, elaborada finalmente por Freud, aponta para aquilo que será chamado de Édipo Completo e que investe nas duas direções (figuras parentais masculinas e femininas), até que fatores diversos e ainda não totalmente entendidos apontem para a orientação que ficará como predominante, porém nunca totalmente excludente da outra. Freud partiu da crença em uma bissexualidade constitucional, ou seja, por “natureza” seríamos todos originalmente bissexuais. Pensamos que seja justamente a forma de lidar com essa constituição e suas manifestações na infância que determinarão também os comportamentos homofóbicos na vida adulta, respaldados na dificuldade em lidar com seus componentes homoafetivos recalcados.
Já em 1970 a American Pshycology Association deixou de considerar a homossexualidade como doença e perversão. E o nosso Conselho Federal de Medicina, desde 1985, assim como a Organização Mundial de Saúde, a partir de 1993, excluíram do quadro de patologias a homossexualidade. No Brasil o Conselho Federal de Psicologia seguiu o exemplo em 1999 (nº01/99) e contemplou definitivamente a questão no Código de Ética do Profissional em Psicologia, aprovado em agosto de 2005. Todas essas resoluções são importantes no sentido de retirar das mãos do campo psi, aquilo que a Dra. Hevelyn Hoocker, conceituada psicológa norte-americana dos anos 1940, havia apontado como os “cães de guarda da moral dominante”, por medicar a prática homoafetiva e substituir toda perseguição policial e religiosa perpetrada nos séculos anteriores.
Em prol da diversidade humanaPensar na diversidade sexual como algo que faz parte da nossa humanidade é combater toda e qualquer prática da homofobia no meio social, prática essa muitas vezes exercida de forma velada, mas em algumas situações peculiares expressa com extrema violência e perseguição. Partimos do fato de que a homofobia é um mal que atinge tanto os heterossexuais quanto os homossexuais, que a exercerão contra seu próprio organismo, muitas vezes estabelecendo um quadro de profunda depressão que alimenta a alta taxa de suicídios existente dentro desse segmento da população.
Parafraseando uma campanha feita alguns anos atrás a respeito do racismo, podemos perguntar: “– Onde você coloca sua homofobia?”. Pensamos que a resposta mais sensata seria: “Em lugar algum, jogo fora”.Porém, é certo que não podemos tratar a questão sem retirá-la do seu lugar de “não-dito”. É preciso trazer para o debate suas manifestações, onde isso puder ser colocado, abrir janelas e portas, lançar luz à questão. É inegável que este é um traço de nossa cultura brasileira machista. Por conta disso, nenhum de nós encontra-se imune a ela, não importa se sejamos hetero ou homossexuais, pois o comportamento homofóbico poderá se apresentar sem grandes diferenciações e ser corrosivo da mesma forma, não importando em quem esteja instalado este traço. São as graves conseqüências deste tipo de atitude que ensejam pensar na proposta de criminalizar todo e qualquer tipo de práticas homofóbicas, como já está previsto no projeto de lei (PL) 122 que tramita no Congresso. Da mesma forma, no âmbito de todo conhecimento psi, devemos tratá-las com a compreensão de serem manifestação de um conflito psíquico.Pelas madrugadas dos grandes centros urbanos brasileiros muita violência é produzida em torno da homossexualidade. Algumas dessas ações ganham o noticiário, mas é comum serem tratadas com certa complacência por grande parte da população, que se apóia nos componentes homofóbicos inscritos em nossa cultura heterocêntrica. Esse tipo de situação precisa ser questionado e combatido com informação e formação. O campo psi não poderá fugir a esse debate e os profissionais que se pronunciam a respeito dessa questão não podem perder de vista seu dever ético, devendo ficar atentos a tudo que até agora o universo científico já produziu com estudos sobre a sexualidade humana. Atualmente os movimentos de afirmação homossexual propõem, de maneira combativa, a localização da “questão homossexual” no campo dos direitos humanos.

Artigo publicado na Revista Psiquê Cinência e Vida edição 322

Fonte: Análisis de conceptos abstractos e práticas concretas de la sexualidad para la psicologia contemporánea. Mario Chimazurra y Veriano Terto – Ed. Madrid 2006.